Página Inicial

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Relato Raid a Marrocos - 17 a 26 Abril 2014 (5ª Parte)

(continuação)

 5º Dia - Dades - Alnif

Deixamos o Kasbah de la Vallée, que por sinal estava muito bem frequentado, e continuámos pela R704 até Boumalne Dadès para novo abastecimento e café da manhã.

Logo pela manhãzinha fomos surpreendidos com mais umas fantásticas paisagens, como esta, por exemplo, que no mapa que eu levava no meu gps (Viagens 4x4) estavam assinaladas como sendo "Dedos Macacos".


Entretanto, no café da bomba de gasolina onde tinhamos parado, fomos conversando com o individuo que nos serviu, e este transmitiu-nos que as pistas até Alnif eram algo complicadas de se fazer com as motas carregadas como estavam. Mesmo assim, o Luis e o Baleizão optaram por irem pelas ditas pistas, enquanto que os restantes membros optaram por ir por estrada até Alnif, e assim tratar de encontrar um local para pernoitarmos, pois a partir deste dia, não tinhamos nada reservado.
Assim sendo, seguimos pela N10 até Tinghir, que a deduzir pelas imensas obras que observamos, está em grande expansão, e depois, mais à frente, entramos na R113 que nos levou a Alnif sem espinhas.
Como tinhamos tempo, fomos fazendo umas paragens para fotos, repor níveis de nicotina a quem precisava, e também entregar mais alguns brindes numa escola que vimos à face da estrada.


Chegados a Alnif, constatamos que o hotel que fica mesmo no centro desta cidade estava lotado, mas prontamente alguém que ouviu a conversa disse que conhecia outro hotel com quartos disponiveis e que ficava a 11kms na estrada para Zagora.
Chegados ao Kasbah Meteorites, fomos contemplados com umas condições top e com parque privativo para as nossas máquinas, que  ficaram estacionadas mesmo à porta dos quartos.

Como a fomita já apertava e ainda tinhamos muito peso extra na bagagem, decidimos fazer um piquenique na suite presidencial do David, que até sala de estar tinha.
Pela 1ª vez acendemos os fogões a gás que tinhamos levado, onde uns aqueceram as latas de comida pré-cozinhada, outros fizeram as tão faladas massas do Continente que é só juntar água quente, e eu decidi fazer uma massinha à Merêncio, como manda a receita, pois não sou nada adepto destas comidas pré-cozinhadas.
Eis o aspecto final da minha massinha...

Estavamos nós a acabar de preparar o almoço quando o Luis e o Baleizão chegam todos contentes, pois, segundo eles, as pistas eram fantásticas. Tão fantásticas que eram, e tanto gás deram, que a KLX650 do Luis chegou a arder.
Isto é, devido à tampa traseira direita estar encostada ao escape, por causa da pressão dos alforges, esta começou a aquecer em demasia até pegar fogo.
Após o almoço, eu e o Spratley fomos dar mais força à mola do amortecedor traseiro das DR, e logo depois, juntamente com o Pedro Félix, fomos fazer reconhecimentos às excelentes pistas que circundavam o hotel, para fazer a digestão do almoço.




Digestão feita, regressamos ao hotel para um refrescante banho na piscina, a que se seguiu uma degustação de cerveja marroquina no bar, até à hora de jantar!  




Se admirados estavamos com a cerveja marroquina, mais ainda ficamos quando ao jantar nos foi oferecida uma garrafa de tinto made in Marrocos. Não era mau, mas a cerveja sabia melhor...!

(continua)











domingo, 4 de maio de 2014

Relato Raid a Marrocos - 17 a 26 Abril 2014 (4ª Parte)

(continuação)

 4º Dia - Imilchil - Todra - Dades

Começo o relato do 4º dia desta aventtura, com duas das vistas possíveis do Hotel Izlane, juntamente com outra foto da sala de estar, de jantar, de pequeno-almoço, enfim...serve para tudo.


Tudo pronto e regressamos à R317 com destino às Gorges du Todra. Embora estivesse um lindo dia, estava um frio do catano e eu de capacete aberto...daassseee.
Ao passarmos pelas aldeias as crianças aproximavam-se do meio da estrada e estendiam as mãos para que nós lhe tocássemos. Como vi o pessoal que ia à minha frente a fazê-lo, também fiz igual, mas má decisão, pois levei um murro na mão esquerda que quase perdia o controlo da moto. Não voltei a repetir este gesto. Quando paramos e comentei o que me tinha acontecido com o grupo, vários foram os comentários de atitudes idênticas e até houve quem dissesse que lhe tinham atirado com pedras. Estranho estas atitudes, quando até aqui tudo tinha sido bem diferente.
Depois de rolarmos uns bons kms, paramos num gancho à esquerda para umas fotos à paisagem e qual não é a nossa surpresa quando o Saul diz que tem um furo no pneu traseiro, uma vez que também tinha metido slime. Oficina de campanha montada na berma da estrada e toca a efectuar a substituição da camara de ar, e esta nem para reparar dava, pois o pneu deve ter rodado e arrancou a válvula.
Entretanto, tenho-me esquecido de referir que a mota do Spratley também andava com uns sintomas esquisitos já à uma série de kms. Parecia que não queria desenvolver, isto é, engasgava-se. Depois de mudarmos velas, inspecionar cachimbos (sim, porque as DR 650 SE embora monocilindricas, usam duas velas, daí o power...lol), purgar carburador, etc., começamos a pensar que esta DR não gostava de rolar acima dos 1000 metros de altitude. Estranho...muito estranho, porque a minha era para o lado que dormia melhor...! Entretanto o Spratley chega ao meu ouvido e diz-me que tem uma meia de vidro no snorkel da caixa do filtro de ar por causa do pó e é quando eu lhe digo que o problema vem dai, pois já em tempos também fiz o mesmo a uma moto4 que tive e não foi preciso andar muito para tirar logo aquela cena, uma vez que a moto4 quase que não andava. O Rui ainda pensou duas vezes se havia ou não de tirar o tal up-grade, mas depois lá o fez, e a partir desse momento a DR voltou a respirar como deve ser e nunca mais houve problemas de andamento.

Altitude: 2654m


Alguma semelhança com a minha moto é pura coincidência...lol 

Reparações efectuadas e continuamos a descer para as gargantas. 
Et voilá...Les Gorges du Todra.

Aqui, parece que a KTM do Baleizão também estava com problemas respiratórios, daí este ter dicidido tirar-lhe o pré-filtro, mas como irão ver mais à frente, o problema não era falta de ar, mas sim falta de gota...!

Não sei como será noutras épocas do ano, mas quando lá estivemos, o Rio Todra só existia a partir deste ponto, que era a nascente.

Hotel Yasmina que fica mesmo dentro das gargantas.


Pormenores do hotel




Almoço no restaurante do hotel: Mais uma Tagine de frango....que soube a pato...
Para as motas estarem deste lado do rio, tivemos de o atravessar, e eu quando o fiz quase que perdia a minha tenda, que, pelos vistos, nesse dia não tinha ficado muito bem presa. Não tenho fotos desse momento, mas houve quem tivesse tirado.

Visto que o problema não era falta de ar, toca a desmontar meia mota para se conseguir alcançar a bomba da gasolina e o respectivo filtro que estava bloqueado com demasiado lixo acumulado. Novamente a oficina de campanha foi montada na berma da estrada, desta vez com imensos turistas a tirar fotos, e como não havia filtro de substituição, nem a mota não podia ficar ali, a solução encontrada foi retirar o filtro da gasolina e montar tudo de novo. Ui, ui, depois disso a bicha ganhou uma nova alma.

Depois de tudo empacotado uma vez mais, toca a dar gás, pois ainda tinhamos uma pista para fazer, a que liga Tamtetoucht a M'Semrir. Começamos com uns belos estradões, onde o Baleizão disse que deu 180km/h, mas depois a coisa apimentou um bocadito, com a passagem por um rio seco cheio de calhaus, que dificultou bastante a passagem às motas mais pesadas/carregadas. Mas devagarinho lá se fez e depois a parte final voltou a ser estradão. Fixe, valeu pelas paisagens e para aquecer a musculatura.









Alguns kms antes desta paragem, passamos por Unimog suiço transformado em autocaravana. Ao aproximar-me dele, o condutor abre a porta e faz-me sinal para parar. Paro e o jovem diz-me que trago algo a arrastar pelo chão. Fonix...olho para trás e vejo que era outra vez a p*ta da tenda que se tinha soltado (outra vez) e, pelo estado da mesma, já devia de vir há um bom bocado a raspar pelo chão. Agradeci e desmontei da mota para arranjar melhor a carga. Entretanto o Spratley também parou e ofereceu-se para levar a dita cuja em cima das malas.
Quando chegamos a M'Semrir, a Transalp do David já vinha na reserva à alguns kms e achou-se melhor abastecer pois ainda faltavam cerca de 20kms para o hotel. Depois de perguntarmos aos habitantes locais, indicaram-nos este posto de abastecimento que funcionava ao bidão. Deu para desenrascar, mas foi a gasolina mais cara que pagamos em Marrocos: 17dirham/litro.

E eis que chegamos ao nosso destino final para este 4º dia: Les Gorges du Dadès, onde as paisagens voltaram a surpreender. 







 Ficamos muito bem instalados no Kasbah de la Vallée, mesmo ao lado do Rio Dadès.

(continua)